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Cruzeiro Seixas – Desenho e pintura, tecnica mista sobre papel, 28 x 39 cm
Quando a asa arrebata a palavra, técnica mista sobre papel, 27 x 24 cm
E eu sonho se ver os sonhos que tenho, técnica mista sobre papel, 21x 44 cm
Cruzeiro Seixas – colagem sobre papel, 29 x 49 cm
Fotografia e colagem sobre papel, 30 x 40 cm

Cruzeiro Seixas

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Artur Manuel Rodrigues do Cruzeiro Seixas (nascido na Amadora a 3 de Dezembro de 1920) é um “homem que pinta” (as suas próprias palavras – a designação de pintor aborrece-o) e poeta português, militante do movimento artístico surrealismo de meados do século XX. Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde conheceu Mário Cesariny e com quem frequentou o Grupo Surrealista de Lisboa. Mais tarde, adere ao antigrupo (dissidente) “Os Surrealistas”, fundado por Cesariny e a que pertenciam também António Maria Lisboa, Risques Pereira, Pedro Oom, Fernando José Francisco e Mário Henrique Leiria.

Em 1952 foi viver para Angola, onde realizou várias exposições individuais e projectos na área da museologia. Partiu em 1964,fugindo da guerra colonial que se vivia e decidiu empreender uma viagem   pela Europa. Cruzeiro Seixas é, hoje, considerado um dos precursores portugueses do surrealismo fantástico, inspirado em De Chirico. As suas obras caracterizam-se pela conjugação entre personagens híbridas e subvertidas, assentes em planos de profundidade que seguem regras de perspectiva, luz e sombra próximos da representação da realidade.Do surrealismo proposto por Breton, interessou-lhe sobretudo a liberdade de criação: Direi ainda quanto me admiro de que as pessoas se manifestem diante do ilógico de uma pintura surrealista, e se mostrem passivas diante do ilógico que lhes é imposto no dia a dia.Cruzeiro Seixas em entrevista

Para Cruzeiro Seixas, a homossexualidade era “a arma mais terrível contra tudo o que havia à minha volta e com que eu não estava de acordo chamasse-se ou não fascismo. Era uma atitude de revolta”, que utilizava, tal como Cesariny, para escandalizar e provocar a sociedade portuguesa conservadora e religiosa, da época.

Bibliografia breve: «A Intervenção Surrealista», de Mário Cesariny, em 1954; «Cruzeiro Seixas por Mário Cesariny», em 1967; «A Fala» (Brasil), em 1967; «La Parola Interdeta – Poeti Surrealisti Pottoghesi» de Antonio Tabucchi, em 1971; «O Surrealismo na Poesia Portuguesa» de Natália Correia, em 1975; «Dictionaire Géneral du Surrealisme et ses Environs» (Office du Livre, França), em 1982; «A Arte Portuguesa do Século XX» (CD ROM), em 1998; «Dados» desenhos e poemas de Eugenio Granell e Cruzeiro Seixas (Menú-Quadernos de Poesia, Cuenca – Espanha), em 1998; «Histoire du Mouvement Surréaliste» de Gerard Duroye; «You are Welcome to Elsinore» de Perfecto Cuadrado (Mallorca – Espanha); «The Imagery of Surrealism» de J. H. Matthews; «Le Surrealisme» (Dictionaire de Poche, França) de José Pierre; etc.. Dedicam-lhe poemas Mário Cesariny, Herberto Helder, Alfredo Margarido, Mário Botas, Franklin Rosemont, José Pierre, Juan Carlos Valera, Bernardo Pinto de Almeida, Albano Martins, António Barahona, entre outros. Encontra-se representado em diversas colecções privadas e em instituições como o Museu do Chiado (Lisboa), Centro de Arte Moderna da Fundação Caloust Gulbenkian, Biblioteca Nacional, Biblioteca de Tomar, Fundação Cupertino de Miranda (V. N. de Famalicão), Museu Machado de Castro (Coimbra), Fundação António Prates, (Ponte de Sor), Fundación Eugenio Granell (Galiza), ou o Museu de Castelo Branco.